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Eu e meu gato

Eu e meu gato

Hoje não consigo nem imaginar que consigo brigar com meu marido e que às vezes me dá vontade de enfiar uma faca na garganta dele. E também não entendo como ele consegue me amar tanto, sendo eu tão chata e cri-cri. Dois anos e 5 meses depois de nos casarmos, ele consegue ser ainda melhor do que na lua-de-mel.

Quinta-feira.

– Vamos fazer compras? O que está faltando?

– (lista)… vamos no Carrefour que está mais barato que os outros, né?

– Verdade. Mas sabe o que eu queria? Queria ficar com você… bem gostosinho…

– Ah, nem me fala. A casa está uma bagunça. Eu nem quero voltar.

– Então tá. A gente não volta.

–  Como assim, a gente não volta?

Passamos uma noite maravilhosa no Belle. Com direito a piscina e jantar no quarto. Tirando o espelho no teto (que mais atrapalha que ajuda, porque ele fica te comparando com as capas de Playboy dizendo que vc é mais bonita e sem photoshop) e a cena (uma mulher tirando bolinhas do fi-o-fó e enviando na boca – super brochante!) que vi sem querer ao mudar de canal , foi tudo lindo. Inclusive o rizoto de cogumelos com arroz selvagem, que estava inesquecível. O chato foi que eu não consegui descobrir quais os ingredientes para repetir a receita em casa.

Mas, como podemos ainda ter tanto a descobrir, aprender, sentir… depois de dois anos e meio morando juntos? Isso é incrível.

Sábado.

– Vamos para a praia?

– Praia? Amanhã cedo? Vamos.

– Não. Agora. A gente dorme por lá, na praia ou numa pousadinha. E volta no domingo à tarde.

– Vamos convidar quem?

– Eu estava pensando mais em um passeio romântico, só nóis dois. Se você quiser levar alguém, tudo bem. Mas eu não me responsabilizo se acabar constrangendo alguém.

– Opa. Então tá.

– Legal. É assim que eu gosto de te ver, minha parceira de aventuras!

Ele não imagina como amei ouvir isso.

Chegamos por volta das 19h30 em Riviera. Na praia ao lado, mais deserta, uns carinhas deixaram a gente entrar na praia com o carro. Eles avisaram que a gente podia ficar ali até perto das 6h e tinha que sair antes da fiscalização da prefeitura chegar, pois, tecnicamente, carros não podiam ultrapassar.

A noite foi simplesmente inesquecível. A melhor de todas que já tive até hoje. O mar, as estrelas, a lua… já me dá saudade só de imaginar. Nunca tinha vivido momentos tão especiais… parecia que ele me amava mais do eu poderia imaginar ser amada um dia.

Foi inevitável recordar dos sonhos da adolescência, e de como sonhava com um momento como aquele antes de saber o que era sexo. Também foi inevitável recordar do Daniel Meder, o rapaz que me apresentou a praia e o mar… e com quem também sonhei, apenas sonhei em me casar e viver momentos como aquele. Mas falando sério, como poderia me casar com o cara mais indeciso e sem atitude que já conheci na vida?? hahaha.

Finalmente o sonho virou realidade. E eu nunca havia contado o quanto amava a praia e as estrelas.

Dormimos. Meia noite alguém bate no carro. Susto enorme. Era um cara dizendo pra gente ir pra frente de uma fogueira mais adiante, pois ali haviam outras pessoas e era mais seguro.

Fomos para a pousada onde era o plano passar a noite. Ninguém atendeu. Ficamos no estacionamento até o dia amanhecer. Super tranquilo. Às 5h acordamos, demos muita risada e fomos ver o sol nascer. Lindo. Enorme, laranjado.

Depois tomamos café na praia, conversamos bastante. Foi uma das conversas mais íntimas que tive com ele até hoje. Isso é tão estranho e lindo ao mesmo tempo. A sensação que tenho é que ainda não sei com quem estou casada. E também não sei quem sou eu na condição de casada. É tudo muito diferente de namorar.

Descobrimos um campping onde tomamos uma ducha antes de voltar pra casa. Revigorante. Mas a festa não acabou aí. Na estrada ainda aconteceu uma porção de demonstrações de amor. Como nunca antes eu havia experimentado.

O mais incrível foi analisar os gastos: duas idas ao cinema. Dá pra imaginar? Com certeza, isso vai mudar a nossa rotina semanal e a agenda cultural. Menos lançamentos, menos televisão, e mais vida de verdade. Pode apostar.

Descobri que sexo bom não é aquele que você faz para aliviar a tensão hormonal. É aquele que te dá vontade de repetir assim que termina, mas aí você descobre que não sobrou energia alguma.

Eu fiquei muito feliz em descobrir isso. Muitos amigos e amigas não conseguiram passar do segundo ou terceiro ano de casamento. Afirmam que tudo caiu na rotina, perdeu a graça e acabou a paixão e o amor. Eu espero que isso nunca aconteça comigo. Se começar a acontecer,acho que  já sei o caminho para reacender a chama. E a resposta é: se permitir ser amada antes de amar.

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Por Débora Carvalho de Oliveira

Olha só o destino da laranja

Quem quer um destino desses?

Quem é que já sonhou em ser a metade de uma laranja? Eu queria saber quem foi que relacionou as metades da laranja com encontrar alguém para partilhar a vida. Esse conceito parte do pressuposto de que éramos inteiros e fomos partidos ao meio. Sim, porque a laranja nasce inteira. As metades só aparecem quando alguém corta a laranja ao meio.

Mas aí vem o Fábio Jr. cantando na propaganda do Vale a Pena Ver de Novo

Carne minha. Alma gêmea… As metades da laranja

Isso não tem o menor sentido. Até porque, mesmo com as metades separadas, ninguém procura essas metades para juntar novamente. É só ver com se prepara suco de laranja nas grandes lanchonetes, ou na saída da estação de trem Vila Olímpia, em São Paulo. Um cara vai cortando as laranjas e o outro vai pecando cada metade e “metendo” no espremedor elétrico sem se preocupar se quer com a sequencia das metades. E tem mais. O cara usa o sumo e joga o bagaço fora. É ou não é? Eu, hein! Tô fora de ser laranja.

Tampa da panela é uma expressão que tem pelo menos algum sentido. Porque em alguns armários, as donas de casa colocam as panelas umas dentro das outras, enquanto as tampas ficam em uma gaveta. Daí, quando precisa tampar o refogado, fica procurando a tampa que cabe na panela.

É melhor ser panela ou tampa?

A panela é quem recebe os ingredientes que são admirados, consumidos – por quem quer que seja. A tampa só serve para ajudar a reter o calor para acelerar o processo ou para manter o conteúdo aquecido por mais tempo. Ou ainda, para evitar que caia pó ou o acesso das moscas. Ninguém dá importância à tampa. Só na hora de procurá-la para tampar a panela. Quando o arroz fica pronto e se destampa a panela, pronto. A tampa já era.

Deve ser por isso que as pessoas dizem:

Eu, tampa da panela de quem?

Será esse o sonho de alguém?

Você é a tampa da minha panela,

e não

Você é a panela da minha tampa.

E tem mais. Pode até existir a tampa do conjunto da panela. Mas qualquer outra tampa também pode servir. Inclusive a tampa de outro conjunto. Só não serve tampa menor, porque cai dentro da panela. Aí é que ninguém quer ser a tampa mesmo, pois qualquer uma serve para o mesmo propósito.

Aviso às garotas: pense bem se vale a pena dar bola quando aquele garoto metido a romântico vier te chamar de metade da laranja (alguém que foi partida ao meio) ou tampa da panela (auxiliar para qualquer coisa que não mereça destaque).

Aviso aos garotos: fique sabendo que nenhuma garota jamais sonhou em ser a metade da laranja nem a tampa da panela. Melhor dizer apenas: você me completa. Pronto. Não importa se é a metade, a tampa, a tampinha… só completa e pronto. Ninguém precisa saber o quão vazio você é de verdade.

______

Essa reflexão veio de uma conversa com minha irmã, Greycilene.  Obrigada pela inspiração, Grey.

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