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Posts Tagged ‘coisa de criança’

O que você faria se seu filho de 4 anos fizesse alguma coisa que nunca fez antes, em público, em um estabelecimento… Aí você corrige a criança, e a proprietária do local fala: “Ela tá te fazendo passar vergonha hoje, hein?” Aconteceu comigo e eu pensei mil coisas para responder, só que dei uma risadinha sem graça. Pura e simplesmente. E agora tô com raiva de mim, pois devia ter dito algo na hora.

Arte 1) Pote das balas
Ao invés da secretária dar uma bala pra ela, disse que ela podia pegar direto do pote. Como ela nunca tem acesso a tanta bala aqui em casa, boba nem nada, a Lara encheu a mão. Tive que fazer devolver e só o fiz pela saúde bucal dela. Não por ser feio ou nada disso. Não se manda uma criança meter a mão num pote cheio de balas sem perguntar à mãe se pode. A falha foi do adulto.

Arte 2) A revista
Eu estava folheando uma revista que a proprietária colocou em minhas mãos. Na outra vez que fui ao local, a revista que eu estava lendo era minha – havia acabado de comprar na banca. Dessa vez, era do estabelecimento. Mas, ao sair, deixei no sofá. A Lara, atenciosa, pegou a revista e veio saindo atrás de mim, estendendo para que eu pegasse. Expliquei que aquela revista não era da mamãe, que era pra deixar no sofá.

Daí a dona soltou a pérola: “Mas ela tá te passando vergonha hoje, hein?”

Como assim? Ela está crescendo, em fase de aprendizado. A verdade é que não passei vergonha nenhuma. Tudo teve contexto e circunstância normal. Se ela ficou vergonha por mim, não conhece criança e ficou envergonhada sozinha, porque eu não fiquei.

Arte 3) A escada
Queria ver a cara dela quando descobrir que antes disso a Lara tropeçou na peça artística de barro (parece que é do nordeste) que estava na escada e quebrou. Sim, poderia ter sido eu. Desde quando uma curva de escada quase caracol é lugar de colocar obras de arte? Vou comprar outra peça similar para repor, porque acho ser honesto. Mas, não. Minha filha não me passou vergonha nenhuma.

Por que será que as falhas dos adultos são toleradas, “não tem problema”, “ah, esqueceu, tudo bem”… mas as das crianças tem que significar vergonha aos pais, mesmo numa circunstância natural e previsível? Eu não vivo nessa gaiola, não. Não mesmo. hehe

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– Mãe, se você fizer pipoca pra mim eu compro aquele colar da coruja que você gostou ontem e não tinha dinheiro pra comprar. Se você não me der pipoca, eu não vou comprar. Qual você escolhe? Ganhar ou não ganhar o colar da coruja? Hein, mamãe? Qual você escolhe?
(eu seguro a risada com todas as minhas forças e falo que estou pensando)
– Você tá me enrolando (apontando o dedinho na minha cara). Você tem que escolher o que você quer. Quer ganhar o colar, ou não? Eu juro que eu compro, mas só se você me der pipoca. Qual você escolhe?

Então me veio o insight:
– Eu adoraria ganhar aquele colar da coruja (que vimos ontem no terminal João Dias, lindo). Mas eu não posso te dar pipoca no lugar do almoço. A mamãe já falou pra você que se você não almoçar direito, vai ficar doente. E se eu deixo você sem almoçar, eu não vou ser uma boa mãe. Então, eu escolhi ser uma boa mãe. Por isso, você precisa escolher duas coisas: almoçar direitinho e ganhar pipoca com suquinho no lanche da tarde, ou ficar sem almoçar e sem pipoca com suquinho no lanche da tarde? Qual você escolhe?
– Ganhar pipoca com suquinho no lanche da tarde.
– Ótimo. Maravilha. E você escolhe crescer forte e com saúde, ou ficar fraquinha sem energia porque não comeu a comidinha gostosa que a mamãe fez com tanto amor pra você?
– Tá bom, mamãe. Eu vou comer a comidinha com amor.
Cinco colheradas e…
– Mãe, tô de barriga cheia. Agora me dá a pipoca?
– Calma, agora você precisa esperar o almoço fazer a digestão. O lanche da tarde é depois, mais tarde. Pipoca não é sobremesa, você esqueceu?
– Tá bom. Eu espero.
E agora, de lanche da tarde, adivinha? Banana, uva-passa e suco. Esqueceu da pipoca. kkkkkkk
Será que ainda vou ganhar meu colar da coruja?

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Ah, em tempo, essa coisa de prometer presente em troca de algo é coisa do pai e da avó. Não endosso essa pedagogia. Mas, entre castigar o comportamento ruim, ainda prefiro premiar o bom comportamento. Mas também não incentivo que isso seja feito sempre. Nem sempre o que fazemos der ruim é castigado na vida, e o que fazemos de bom premiado. E isso vale para as crianças também. Presente toda hora e castigo toda hora é surreal demais. Não existe na vida real.

A propósito, meia hora depois de eu escrever o texto:

Agora ela lembrou da pipoca, e voltou ao tema:
– Mãe, se você fizer pipoca pra mim eu juro que eu compro aquele colar de coruja.
Mas a pipoca só vai sair agora à noite. hehe

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Cheguei de uma reunião com cliente (a propósito, um super trabalho que vai incorporar meu portfólio, com o Colégio Máximo), e Lara estava pintando com sua palheta de aquarela:
– Mamãe, voltou?
– Voltei.
– Cuidá Lalara?
– Sim, a mamãe sempre volta pra cuidar da Lara.
– Correu muito?
– (onde ela aprendeu isso?) Corri muito, deu tudo certo.
– Ah, tá bom. Ganhô dinhero?
– Vou ganhar.
– Ah, tá bom. (e me deu um super abraço).

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– A tia Fê parece que não me conhece mais.

– Por quê?

– Porque eu falo e ela não me entende.

(pausa/silêncio)

– Ela não fala mais comigo. Eu entro no carro e ela não fala comigo. Entro na casa dela e ela não fala comigo. Eu não sei porque que ela não fala mais comigo.

……………

– Tia Dé, eu gosto tanto de ficar com você!

…………..

– Tia Dé, eu tô falando baxinho?

– Tá sim, parabéns?

– Ah, que bom, porque eu não sei falar baixo, mas tú não gosta que fica falando alto, né? Mas quando eu fô gandinha eu vô apendê.

– Mas você já tá falando baixinho, tá bom assim. Parabéns!

(Sorriso de satisfação).

…………..

– Tia Dé, eu queria tanto vim pá cá pá São Paulo, mas tava demorando tanto! Mas agora eu tô aqui!

– E você tá gostando?

– Tô, poque eu tava com saudade!

…….

– Quando o Miguel nascê, eu vô ensina pá ele sê obediente e não fazê coisa errada.

…….

– Seu pai qué que você vá embora amanhã, Raquel.

– Mas eu não quero ih embora! Fala pá ele qui eu quero ficar mais aqui em São Paulo!

……

– Ah, eu tava com saudade desse chero de São Paulo!

……

(sobre o corredor do meu apto).

– Nossa, eu tô sentindo um chero. Ah, é igual o chero da minha casa!

– E sua casa é fedorenta desse jeito?

– É. Minha casa é bem fedorenta.

……..

– Vó, poquê você não deixa eu fazê tudo que eu quero igual a minha mãe?

…….

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