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Posts Tagged ‘Quebrando o Silêncio’

palmadaEu não consigo entender as pessoas que agradecem os pais que lhes bateram, dizendo ter sido melhor apanhar deles do que da polícia.

Eu não agradeço as palmadas, nem as chineladas, nem as cintadas, nem os castigos que recebi (de joelhos). Não me tornaram uma pessoa melhor. Não me deram nada de bom. Eu não teria me tornado uma criminosa se não tivesse apanhado. Muito pelo contrário –  hoje tenho que lutar contra os impulsos violentos de reprodução de comportamento dos pais.

Eu não mudei nenhum comportamento por causa das palmadas. Não parei de fazer o que achavam que não devia. Não mudei de opinião. E fui uma boa garota.

Apanhei pouco. Dá pra contar nos dedos das mãos. Mas me lembro que uma simples conversa e compreensão seriam suficientes.

Eu entendo que a Lei da Palmada, na verdade, tem o objetivo de coibir espancamentos que sempre começam com um tapa. Em poder de quem tem tendência à violência, o tapa pode dar origem a uma avalanche.

Quem pode ser corrigido com um tapa, também pode ser corrigido com uma conversa ou com o cantinho da disciplina “à lá reallity show Supernanny”.

O tapa é totalmente desnecessário. E perigoso. Assim como gritos, berros, e outras coisas que só servem para deseducar. Prova disso é que a geração que cresceu apanhando não fez diminuir a criminalidade. O que educa é estudo e bom exemplo.

Não adianta justificar dizendo que palmada é repreensão, pois vem acompanhada de agressão física. Repreensão, sim. Agressão, não. Mesmo a verbal ou psicológica. A repreensão jamais deve vir acompanhada da agressão. Isso desvirtua os relacionamentos afetivos. Confunde… faz achar que quando amamos e somos amados devemos aceitar a violência e a pessoa deve também aceitar nossos impulsos de fúria.

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Em 2007, em uma apresentação de teatro infantil,  para pedir silêncio da garotada eu disse que tinha um homem dormindo no quarto atrás da porta, e que ele era muito bravo. Uma das alunas me cochichou:

Nossa! Então é melhor a gente ficar quieto. O meu pai também é bravo, sabia? Outro dia ele deu um soco na cara da minha mãe porque ela estava falando quando ele tava dormindo no sofá.

Em outra escola, ouvi o depoimento da diretora, que mostrou marcas de bitucas de cigarro e de colheres quentes na barriga, costas e braços de um garoto de 3 anos. Era o pai viciado em drogas quem fazia isso.

Então, hoje descubro o projeto Alô Vida. Qualquer pessoa pode denunciar a agressão sem se identificar, e ainda receber atendimento e orientação. O Alô Vida faz parte da Fundação Orsa e existe desde 2004. A notícia na TV foi pela inauguração da linha 0800 para chamadas gratuitas.

Alguns dados me chamaram a atenção. 10% das ligações são sobre denúncias de agressão infantil. O principal agressor é o pai, seguido do padrasto, avós, tios e mães.

Alguns sinais de alertasão alterações no comportamento, a criança ficar calada ou agressiva demais. E o uso de calças e mangas compridas mesmo no calor.

Não dá pra acreditar que em pleno século 21 aconteça esse tipo de coisa. Em todo caso, Quebrar o Silêncio é a única saída. Ah, o telefone: 0800 970 11 70

http://www.fundacaoorsa.org.br/web/pt/atuacao/direitos/alovida.htm

Também existe a Campanha Quebrando o Silêncio, ligada à educação e igreja adventista. http://www.quebrandoosilencio.org.br

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